Home / Internacional / Em Caracas, oposição vai às ruas contra Maduro

Em Caracas, oposição vai às ruas contra Maduro

Imprimir  

Enviar notícia





Enviar para um Amigo



02 de setembro de 2016

Protesto pressiona por referendo para revogar o mandato do presidente da Venezuela. Segundo oposição, ato reúne 1 milhão de pessoas na capital. Novas passeatas são convocadas para as próximas semanas em todo o país.

A oposição ao governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro se reuniu nesta quinta-feira (01/09) nas ruas da capital do país para a chamada “Toma de Caracas” (Ocupação de Caracas), exigindo a definição de uma data para o referendo revogatório do mandato do chefe de governo.

Segundo a Mesa da Unidade Democrática (MUD), maior aliança de partidos opositores do país, o protesto reuniu pelo menos 1 milhão de pessoas, boa parte vestindo camisetas brancas e bonés amarelos, azuis e vermelhos, na cor da bandeira venezuelana, espalhadas por 20 quilômetros de vias.

“Para que a nação possa se expressar é necessário convocar uma consulta eleitoral antecipada, e tal consulta tem nome e sobrenome em nossa Constituição: seu nome é referendo e seu sobrenome é revogatório”, clamou Jesús Torrealba, secretário executivo da MUD. “É isso que exigimos.”

Para Torrealba, “é óbvio que, do ponto de vista tecnológico e processual, há tempo [para a realização do referendo ainda neste ano], mas isso depende de um só fator, que é a vontade política”.

Os opositores ainda convocaram um “grande panelaço nacional” para esta noite para celebrar a Toma de Caracas que, segundo Torrealba, “marcará o início dessa nova e definitiva etapa de luta”.

Desde o início de 2014, quando uma onda de protestos sacudiu o país e deixou 43 mortos, a oposição vinha falhando em organizar grandes passeatas. Nesta quinta-feira, manifestações se deram também em outras cidades venezuelanas, bem como em capitais da América Latina, em apoio a Caracas.

Milhares de simpatizantes de Maduro também foram às ruas da capital nesta quinta, para mostrar apoio à “revolução socialista”. Apesar da baixa popularidade, o presidente ainda conta com a aceitação de cerca de 20% dos eleitores venezuelanos, segundo estimam agências internacionais.

“A oposição, com sua marcha, quer derrubar o presidente, mas não vão conseguir”, afirmou a manifestante Adriana Jiménez. “Eles não têm pessoas, não têm o povo.”

Detenções antecedem protesto

Enquanto o governo denuncia supostos planos golpistas relacionados às manifestações opositoras, políticos da oposição rechaçam a onda de repressão antes da grande marcha desta quinta-feira.

O partido opositor Primero Justicia (PJ) denunciou que 11 de seus militantes foram detidos pela Guarda Nacional Bolivariana ao se dirigirem à capital do país para participar do protesto.

O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela denunciou que as autoridades do país estavam impedindo a entrada e expulsando jornalistas estrangeiros que iriam cobrir o ato.

Nesta terça-feira, três jornalistas da emissora Al Jazeera que pretendiam cobrir a marcha em Caracas foram detidos ao chegarem ao aeroporto venezuelano de Maiquetía. Segundo a imprensa local, uma jornalista do México foi expulsa do país no mesmo dia.

O governo venezuelano também fechou nesta quinta-feira os acessos à capital que seriam usados por manifestantes. Dentro de Caracas, pelo menos quatro estações de metrô foram fechadas.

“Toma de Venezuela”

Nesta quinta-feira, ao término da manifestação, a MUD declarou-se em “protesto permanente” e anunciou uma agenda de atividades para continuar pressionando por um referendo revogatório.

Na próxima quarta-feira, 7 de setembro, estão previstas marchas até as sedes do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) em todo o país, exigindo rapidez na convocação – se o referendo for realizado depois de 10 de janeiro e Maduro for revogado, é o vice-presidente o encarregado de completar o mandato.

Para 14 de setembro, a oposição convocou mobilizações de 12 horas nas capitais de todos os estados venezuelanos, e anunciou ainda a “Toma de Venezuela” (Ocupação da Venezuela), para algumas semanas mais tarde, com protestos em todo o país com duração de 24 horas.

A Venezuela vive uma grave crise econômica e política. Apesar de ter as maiores reservas petrolíferas do mundo, a economia atravessa grandes dificuldades, levando Maduro a decretar, em janeiro, estado de emergência econômica. A população sofre com a escassez de alimentos e medicamentos.

Deutsche Welle

Veja Também

Robô realiza a primeira cirurgia intraocular para restaurar visão – BBC Brasil

Compartilhar no Whatsapp11 de setembro Cirurgiões usaram pela primeira vez um robô em uma operação ...